PANDEMÔNIO

Inquietação que ultrapassa a verbalização discursiva.
Interpenetração de sentimentos.

Estruturas impregnadas de significados
armadas em captura rumo a desforra.

 

JORGE MANILLA

Escultura para os dedos Qual é a distância? Que é o tempo? o que é vida ou o que é importante .. hoje a distância e o tempo parecem ser um abismo incompreensível que nos leva a lugares desconhecidos para nós estamos em um limbo onde encontramos demônios internos, escuridão, loucura, desejo e nossas necessidades mais básicas essa extrema solidão nos faz viver, nos faz morrer, nos faz sentir e hoje não sabemos mais se existimos ou não. escuridão eterna.

JOSETTE BARBAN

As máscaras “Jail” e “Opus Dei” representam o indivíduo em estado
profano diante da vertigem do caos. Embriaguez do medo à mitigar perdão.
“Jail”: asfixia, traqueostomia; ar aramado, encapsulado – respiro refreado de
melancolia. “Opus Dei”: cruz no peito como instrumento de salvação; interrupção
da voz, da visão, da audição, do pensamento. Ambas presas, acuadas,
amortizadas pelo sistema corrompido, infecto, virulento. Enjaulados estamos.
Livres seremos?!

 
 
 

POHL

Opus Dei representa o indivíduo em estado profano diante da vertigem do
caos. Opus Dei nasce como máscara simbólica, embriaguez do medo para mitigar
perdão. Cruz no peito como instrumento de salvação; interrupção da fala, da
visão, da audição, do pensamento. Opressão. Clausura. Silêncio. Opus Dei para
templários temerosos mascarados; supernumerários de sociedades secretas
agora calados e amortizados. Opus Dei, castração da liberdade imposta pelo
sistema corrompido, amortizado pelo poder da prelazia.

ROXANA CASALE

"A única maneira de manter a paz social é que cada indivíduo ou grupo possa receber o suficiente para tornar suas vidas dignas"                                                                                      Zygmut Bauman.

O que acontece quando indivíduos ou grupos se distanciam dos demais, querendo reivindicar direitos e privilégios que eles acreditam terem sido adquiridos e superar os dos outros? Eles certamente causarão incerteza, insatisfação e desesperança entre os excluídos. Cedo ou tarde, as tensões explodirão, gerando violência e mudanças no paradigma social. Camadas e mais camadas de políticas de livre mercado acabam expondo a realidade dos infelizes e vulneráveis.

 

ANA CALBUCCI

¨Existiu um tempo em que os homens tiveram que se isolar um dos outros.

Foi suprimido o toque, os abraços e os encontros, pois a ameaça vinha do ar.

Com a pandemia se alastrando, o isolamento se intensificou e cada qual foi se enclausurando. Amedrontados pouco a pouco, foram criando defesas corporais simbioticas.

Uns desenvolveram carapaças, outros começaram a se transformar em ostras, fechadas em suas conchas e ao menor stress invasivo começaram produzir pérolas como auto defesa...

Mas isto é uma fábula antiga de um tempo que se perdeu.¨

 

CARLOS PENNA

O Muiraquitã (amuleto em tupi-guarani) é um convite a repulsa, a primeira vista causa a dúvida do colocar ou não sobre o corpo. O inóspito do branco somado ao vidro afiado passa a ideia de afastamento ou o pedindo. O fechamento da peça é feita através de imãs recobertos em vidro, para reforçar  o sentimento do desejo de estar junto, até mesmo muito perto, mas sem possibilidade de toque. 

 

MARISA MARTINS

Faixas de crepom remetem-me aos hospitais; em alumínio, a lâmina que corta nossos sonhos e, através dela, anuncia os que não mais por aqui estão; entre arames, a Terra curando-se; e por fim a fé da salvação.

 

Nome da obra: Ioroque  (Espírito mau, diabo. Mitologia Urukuiana, Aparai, Wiana e Galibi (N) – tipo de representação equivalente ao diabo; é um deus das trevas, fantasmagórico, das doenças e da morte, invisível, só pode ser visto pelo pajé quando este o invoca. 

Fonte: Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena – Clóvis Chiaradia)

 

ROGERIO BISOLOTTI

É um colar provindo da "canibalização" de diversas peças pertencentes a processos criativos que foram interrompidos pelo isolamento, consequente à pandemia. 

 

J.P VELLACO

 Eles são simples, não comem, não respiram e nem se reproduzem sozinhos, têm o poder de causar grandes estragos. Esse inimigo invisível, que não conseguimos ver a olho nu, assolou a humanidade dizimando a população mundial.

 

PRISCILA MASSAINI

Sem romantizar, a peça "Farpas" representa nossas angústias em meio aos isolamentos e diante de tantas incertezas como se faltasse nosso ar. Convivendo diariamente de perto com nossas inseguranças, defeitos e espinhos. Momento de ficarmos centrados. E ao mesmo tempo é libertador saber o real motivo e o alívio momentâneo.

 

MARISA PORTELLA

Colar - máscara.  A pandemia representa um momento marcante e fenomenal de virada, de fim e consequentemente de recomeço. Transformações externas que nos levam à reflexões e mergulhos internos profundos, busca pelo " Essencial". Mostra  a  falência de um sistema  que já não nos serve mais,  necessidade urgente de construirmos juntos um mundo mais igualitário,  um novo modelo de sociedade mais igualitária e que tenha  muito mais atenção, respeito e cuidado com nosso planeta, com nossa  natureza e nossos povos originários. Pensando nisto escolhi o fruto e sementes  de uma árvore nativa brasileira chamada Tamboril -Enterolobium maximum- como material principal da minha peça. Este fruto contem sementes no seu interior convidando  novamente à reflexão de que tudo está dentro, é lá que precisamos buscar os recursos  que necessitamos para passar por este momento e esperançosamente começarmos a criar um mundo melhor. A peça é executada com os frutos e as sementes da árvore e com cobre. Os materiais  são fixados  com fios de cobre sobre chapa flexível e reciclada feita de garrafas pet.